Com Mix Alcooleiro, Moagem de Cana na Safra 2026/27 Atinge 23,1% no Norte-Nordeste
Fontes Oficiais: Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio) e Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa)
· Por Redação Agro Diário
Fontes Oficiais: Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio) e Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa)
O processamento industrial da safra 2026/27 de cana-de-açúcar nas regiões Norte e Nordeste do Brasil alcançou a marca de 13,730 milhões de toneladas moídas, o equivalente a 23,1% da estimativa total de 59,545 milhões de toneladas projetada para o ciclo. De acordo com o boletim conjuntural divulgado nesta quarta-feira (28) pela Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio) — entidade que congrega 35 usinas em 11 estados — com base em dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a temporada atual caracteriza-se por um forte direcionamento ao biocombustível: 70,22% de toda a matéria-prima processada foram destinados à fabricação de etanol.
A produção total de etanol (somando o biocombustível derivado da cana e o fabricado a partir do milho) atingiu 1,421 milhão de metros cúbicos, registrando um salto expressivo de 45,4% na comparação com o mesmo intervalo da safra passada. Na região Norte, a execução da moagem já chega a 59,8% do previsto (4,670 milhões de t), enquanto no Nordeste o avanço acumulado é de 17,5% (9,060 milhões de t, alta de 0,3%).
Balanço da Safra Sucroenergética 2026/27 no Norte-Nordeste (NovaBio/Mapa):
Moagem Acumulada: 13,730 milhões de toneladas (23,1% da projeção total de 59,545 milhões de t para o ciclo).
Vocação Alcooleira: 70,22% da cana processada direcionada à produção de etanol diante de restrições na cota americana de açúcar.
Salto na Oferta Total de Etanol: 1,421 milhão de m³ (+45,4%), impulsionado pela consolidação das usinas de etanol de milho (736 mil m³) ao lado do etanol de cana (685,2 mil m³).
Produção de Açúcar: 491,8 mil toneladas (+3,3% frente ao mesmo período do ciclo anterior).
Posição de Estoques: 224,582 mil m³ armazenados (220,486 mil m³ de etanol de cana e 4,096 mil m³ de etanol de milho).
Impacto das Cotas dos EUA e Ascensão do Etanol de Milho
Segundo o presidente executivo da NovaBio, Renato Cunha, a decisão das usinas nordestinas de priorizar um mix francamente alcooleiro responde diretamente ao novo cenário comercial externo. A redução imposta pelos Estados Unidos na cota preferencial de importação do açúcar brasileiro — historicamente preenchida pelas usinas do Nordeste — levou o parque industrial regional a redirecionar o caldo para as destilarias de etanol anidro e hidratado, onde a demanda doméstica segue aquecida.
Outro destaque estrutural do balanço é o protagonismo do etanol de milho no arco Norte-Nordeste. Do total de 1,421 milhão de m³ produzidos, o processamento de milho respondeu por 736 mil m³ (sendo 498,015 mil m³ de anidro para mistura na gasolina e 237,985 mil m³ de hidratado), demonstrando o sucesso das usinas flex e dedicadas instaladas próximas às fronteiras agrícolas do Matopiba.
Qualidade da Matéria-Prima (ATR) e Ritmo de Abastecimento
No campo agronômico, o indicador de Açúcar Total Recuperável (ATR) por tonelada de cana apresentou leve recuo de 2,3% na comparação anual (e retração de 3,4% nos produtos finais), reflexo de chuvas esparsas registradas no início da colheita em polos litorâneos. Ainda assim, com estoques enxutos — queda de 7,2% no etanol de cana e de 59,9% no etanol de milho estocado —, o escoamento para as distribuidoras de combustíveis mantém liquidez firme e remuneração favorável para o setor bioenergético regional.
Fonte e Referências Oficiais
Esta análise foi elaborada com base nos dados oficiais da NovaBio e do Ministério da Agricultura:
Notícias Agrícolas / NovaBio: Com mix alcooleiro, moagem de cana na safra 2026-2027 no Norte-Nordeste atinge 23,1% da projeção
Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio) / Sindaçúcar-PE.
Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) • Departamento de Cana-de-Açúcar e Agroenergia.