Pesquisa Paulista Transforma Efluentes da Piscicultura em Biofertilizantes para a Lavoura
Instituições Envolvidas: Instituto de Zootecnia (IZ/APTA-SP), FAPESP, AptaHub e Startup AQUi9
· Por Redação Agro Diário
Instituições Envolvidas: Instituto de Zootecnia (IZ/APTA-SP), FAPESP, AptaHub e Startup AQUi9
A integração sustentável entre a criação comercial de peixes e a produção vegetal deu um passo tecnológico promissor no interior do estado de São Paulo. Um projeto de pesquisa aplicada desenvolvido pela agtech AQUi9 em parceria com cientistas do Instituto de Zootecnia (IZ), em Ribeirão Preto (SP) — órgão vinculado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo —, está validando a conversão de efluentes ricos em nutrientes da piscicultura em fertilizantes líquidos de alta eficiência agronômica.
Financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) por meio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), a iniciativa une sistemas intensivos de recirculação de água (RAS), sensores de Internet das Coisas (IoT) e modelagem computacional para monitorar em tempo real as concentrações de compostos nitrogenados, fósforo e potássio gerados pelo metabolismo dos peixes e direcioná-los à fertirrigação de pastagens e lavouras.
Pilares do Projeto de Economia Circular na Piscicultura Paulista (IZ / APTA / FAPESP):
Tecnologia embarcada: Uso de Sistemas de Recirculação Aquícola (RAS) acoplados a sensores IoT para quantificação contínua da carga nutricional dos efluentes.
Aplicação em Forrageiras: Ensaios de campo no Instituto de Zootecnia avaliam a resposta produtiva de gramíneas forrageiras submetidas à fertirrigação com resíduos aquícolas tratados.
Duplo Benefício Ambiental e Econômico: Mitigação do descarte de efluentes em corpos hídricos combinada à substituição parcial de adubos químicos sintéticos importados.
Ecossistema AptaHub Incuba: Parceria viabilizada pelo programa de inovação aberta da APTA, que já conectou 15 startups a institutos públicos de pesquisa e mobilizou R$ 364,6 mil em contratos tecnológicos.
De Passivo Ambiental a Insumo Agrícola Valorizado
Na piscicultura intensiva tradicional, o acúmulo de matéria orgânica, restos de ração não digerida e excreções ricas em amônia e fósforo exige renovação constante da água e tratamento rigoroso antes da devolução aos rios ou represas, sob risco de eutrofização. Ao capturar essa água residual em sistemas fechados de recirculação, a tecnologia estudada em Ribeirão Preto estabiliza biologicamente os macronutrientes e micronutrientes, transformando um custo de tratamento em biofertilizante líquido pronto para absorção radicular.
Nos experimentos conduzidos junto ao Instituto de Zootecnia, os pesquisadores avaliam a produtividade de matéria seca e o teor proteico de capins tropicais irrigados com o composto aquícola, demonstrando o potencial de sistemas integrados (Agro-Aquicultura Integrada) para propriedades que combinam tanques de tilápia com pecuária de corte ou leite.
Aproximação Entre Ciência Pública e Startups do Agro
O avanço do projeto reflete o modelo de inovação aberta coordenado pelo AptaHub. Segundo balanço da Secretaria de Agricultura de São Paulo, o programa AptaHub Incuba já promoveu a conexão direta de 15 startups de base tecnológica com pesquisadores dos institutos paulistas, resultando na assinatura de contratos de transferência tecnológica que somam R$ 364.670,00.
Ao alinhar o rigor científico das estações experimentais do estado à agilidade empreendedora das agtechs, São Paulo acelera a chegada de novos bioinsumos ao produtor rural, reduzindo a dependência externa de fertilizantes minerais e fortalecendo a sustentabilidade da cadeia aquícola nacional.
Fonte e Referências Oficiais
Esta análise foi elaborada com base em informações oficiais da Secretaria de Agricultura de SP, APTA e FAPESP:
Feed&Food: Pesquisa paulista avalia uso de efluentes da piscicultura como fertilizantes
Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA / Instituto de Zootecnia) • Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) • Programa PIPE.